quarta-feira, 24 de junho de 2009

Esboço do Sistema Pestalozziano ( * )

Analizando o livro de Pestalozzi - Como Gertrudes ensina seus filhos ( 1801 ), H. Morf, considerado o autor de uma das melhores biografias do mestre zuriquense, sumariou-lhe assim os princípios pedagógicos:

I - A intuição é o fundamento da instrução.

II- A linguagem deve estar ligada à intuição.

III - A época de ensinar não é a de jugar e criticar.

IV - Em cada matéria, o ensino deve começar pelos elementos mais simples, e daí continuar gradualmente, de acordo com o desenvolvimento da criança, isto é, por séries psicologicamente encadeadas.

V - Deve-se insistir bastante tempo em cada ponto da lição, a fim de que a criança adquira sobre ela o completo domínio e a livre disposição.

VI - O ensino deve seguir a via do desenvolvimento e jamais a da exposição dogmática.

VII - A individualidade do aluno deve ser sagrada para o educador.

VIII - O principal fim do ensino elementar não é sobrecarregar a criança de conhecimentos e talentos, mas desenvolver e intensificar as forças de sua inteligência.

IX - Ao saber é preciso aliar a ação; aos conhecimentos, o savoirfaire [ saber fazer ].

X - As relações entre mestre e aluno, sobretudo no que concerne à disciplina, devem ser fundadas no amor e por ele governadas.

XI - A instrução deve constituir o escopo superior da educação.

Acontece que a experiência de Pestalozzi em Berthoud, junto dos colaboradores, modificaria em alguns pontos o seu método. Ademais, novos ensaios e experiências realizados em Yverdon levariam-no a reformular conceitos, a desenvolver e desdobrar sua doutrina pedagógica. Daí a razão das dificuldades a que aludimos, o que faria um crítico dizer, com evidente exagero, que, sob o ponto de vista do método, o maior mérito de Pestalozzi foi não ter tido ele método.

O acadêmico lusitano Souza Costa enunciou, em poucas palavras, os princípios basilares da educação pestalozziana: desenvolvimento da atenção, formação da consciência, enobrecimento do coração.
Segundo o biógrafo P. P. Pompée, Pestalozzi achava que todo bom método devia partir do conhecimento dos fatos adquiridos pela observação, pela experiência e pela analogia, para daí se extraírem, por indução, os resultados e se chegar a enunciados gerais que possam servir de base ao raciocínio, dispondo-se esses materiais com ordem, sem lacuna, harmoniosamente. Para Pestalozzi a arte da educação devia aproximar-se da natureza, e o melhor método de ensino seria aquele que dela se aproximasse.

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(*) WANTUIL, zêus e THIESEN, Francisco. Allan Kardec. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, v. I. Cap, 15, p. 96-97.
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Princípios enunciados e seguidos pelo discípulo (*)

Logo em sua primeira obra, Denizard Rivail relaciona em seis itens os princípios que lhe parecem mais adequados ao ensino à criança, fazendo-o em harmonia com o sistema pestalozziano, como era de se esperar de um discípulo do mestre suíço.
Eis os princípios que o nortearam na elaboração do seu Cours d'Arithmétique [ Curso de Aritmética ], alguns dos quais o guiariam, bem mais tarde, nos estudos e nas pesquisas espíritas e bem assim na Codificação da Doutrina:

1° - Cultivar o espírito natural de observação das crianças, dirigindo-lhes a atenção para os objetos que as cercam.

2° - Cultivar a inteligência, observando um comportamento que habilite o aluno a descobrir por si mesmo as regras.

3° - Proceder sempre do conhecimento para o desconhecido, do simples para o composto.

4° - Evitar toda atitude mecânica ( mécanisme ), levando o aluno a conhecer o fim e a razão de tudo o que faz.

5° - Conduzi-lo a apalpar com os dedos e com os olhos todas as verdades. Este princípio forma, de algum modo, a base material deste curso de aritmética.

6° - Só confiar à memória aquilo que já tenha sido aprendido pela inteligência.

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(*) WANTUIL, zêus e THIESEN, Francisco. Allan Kardec. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002, v. I. Cap. 15, p. 98.
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